segunda-feira, 6 de junho de 2016

Morreu Cassius Clay




Faleceu no passado dia 3 o famoso e lendário pugilista Cassius Marcellus Clay Jr. com 74 anos de idade (1942-2016) e vítima de prolongada doença...
Esta pessoa algo polémica, pelas mais diversas razões de índole racista, recusa de identidade, etc... sendo muçulmano viria a adotar o nome de Muhammad Ali-Haj, abalando preconceitos intocáveis.
Eterna lenda do boxe, por todo o mundo e concretamente na América, foi idolatrado e alcunhado de "O profeta", "O Rei" , "O maior" , "O invencível" , etc...disputou e venceu dezenas e dezenas de combates, concretamente na categoria de "pesos-pesados", foi medalha de ouro nos jogos olímpicos e três vezes campeão do mundo. Um dia, depois de atirar ao tapete o seu adversário Sony Liston, proclamou: «Sou o melhor! Sou o melhor! Sou o rei do mundo!»



E a todos exclamou: «Sou eu próprio e não quero ser o que vocês querem que eu seja!» descarregando e assumindo-se defensor da raça negra, enfrentando a fera política. Assim, com tanta controvérsia na sua personalidade, no que dizia e nas atitudes que tomava, metade da América detestava-o e outro meio mundo... adorava-o!
Estou a contar vos isto, porque naquela altura, década de 70 do passado século XX, tinha eu p'ra aí os meus 10 anos e o tema nada me interessava, visto detestar tudo que empregue a violência.



Mas para os meus colegas, mais afoitos, mais virís, sem complexos a descarregar logo nos mais pacatos, era o "ídolo" do momento, da moda, que ninguém derrubava, o "mais  forte do mundo"!
Passado algum tempo, deixaram a televisão quando terminou aquele combate e escutei-os a desabafar uns com os outros: foi a primeira vez que perdeu com aquele gajo... e logo agora! ... bla...bla...bla...
Estávamos em 1971 e era combate do titulo de Campeão do Mundo: Clay perdia com Joe Frazier.



Depois, derrota com Ken Norton e posteriormente ainda mais dramática derrota com um "puto" de 24 anos, de nome Leon Spinks. Apercebia-me, então, pela tristeza deles, os meus colegas, que era mesmo o fim do "reinado" do que eles denominavam "o melhor do mundo a dar porrada".
Recordo-me de guardar recortes de jornais velhos e mais tarde viria a encontrar uma revista que guardei e onde colei os papelzitos.  



Não sei como nem porquê, mas foi a partir dessa altura que mudei drátsicamente a minha forma de pensar, de obedecer a tudo que estava pré-definido, e passei até a enfrentar as leis ditas intocáveis, a ser um miúdo mais destemido. Um dia raciocinei e disse para comigo mesmo, acordando para a realidade:

«Estás a ver? Afinal, aquela história Biblica em que nunca acreditaste, é mesmo verdadeira!
O "fraco" pode também um dia ser "forte"! A luta começa igual para todos! Só tens que saber usar a melhor arma, a melhor tática, o momento oportuno!»


Gostei, mais tarde, de o ver como ator de cinema e retive o que para mim foi um sensacional filme "Mandingo". Ao longo da minha vida, quantas vezes lembrei e atuei, meditando numa frase célebre de sua autoria, nalguns dos meus piores momentos:

«O silêncio vale ouro, quando não consegues achar uma resposta boa!» 


Aquele Abraço

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