quarta-feira, 17 de abril de 2013

Ao escurecer


Passou ontem por mim, ao escurecer,
Certo rapaz, radiante de alegria,
Que era o retrato do que eu fui um dia,
Na idade da esperança e do prazer.

Vendo-me, estremeceu, pois julgou ver
Seu rosto num cristal que o envelhecia,
E a mim, de o contemplar, me aparecia
Que ardentes ambições voltava a ter.

Um em frente do outro, ali parados,
Eu, vendo-me, enganado, em claro espelho,
Ele, vendo-se, triste, em negro poço,

Abraçamo-nos, ambos contristados,
Ele, porque há-de ser, como eu, um velho
E eu, por ter sido já, como ele, um moço!

Poema de Eugénio de Castro



domingo, 14 de abril de 2013

Colóquio de Aves (Vizela)


Divulgação

Convite e divulgação de 3º Colóquio de aves em Vizela


No âmbito das comemorações do 3º aniversário do COVIZ – Clube Ornitológico de Vizela, realiza-se conjuntamente com a FONP – Federação Ornitológica Nacional Portuguesa, um colóquio sobre aves (Canários de cor) no próximo dia 20 de Abril de 2013, pelas 16:00horas, no auditório dos Bombeiros
Voluntários de Vizela. 
Este será dirigido a todos os associados COVIZ e a todos os interessados pela Ornitologia.

Cumprimentos,
O Presidente da Direção
Luís Silva



quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Dia dos Moinhos




Dia para lembrar os «Moinhos»

... e essa personagem “mística” do «Moleiro»

Que força sincronizas-te
Para que a mó, que inventas-te,
Gire ao segundo?

A telúrica leva
Grão a grão mói a fornada,
Sacia o Mundo!

Poema de Luís Jales de Oliveira

Decorreu no passado 7 de Abril o DIA DOS MOINHOS.


Ainda me lembro daquele dia que percorri o “Caminho dos Moleiros” em Albergaria – A – Velha, e fui dar aos Moinhos da Freirôa, no Rio Caima, onde conheci um bom homem, que me explicou poeticamente na sua arte, o sentido da Vida, a quem dedico estas quadras:

O moleiro José de Almeida
Ensinou-me esta lição:
- Um ano farto de água
Também é farto de pão!

E mais esta que não rima:

Num ano de muita água
O moleiro bebe vinho.
Num ano de pouca água
O moleiro bebe água!


Os “Trilhos dos Moinhos” de Castro D’aire e S.ta Isabel do Monte foram outros caminhos que percorri e que me fascinaram.




Moinhos de Portugal (1)

Em quase todas as zonas do nosso País, por onde correm rios e ribeiros, enredados nas terras, permitiram noutros tempos já longínquos a construção de moinhos e azenhas junto aos cursos de água, com as seus rodízios a bater pela força canalizada das levadas. Onde a extensão linear não era possível pelos complicados leitos dos rios, eram erguidos em sobreposição vertical uns nos outros com visão pitoresca, arquitectura de mãos hábeis e fiéis à grande invenção e engenho dos Romanos.


Num outro estilo e com o mesmo propósito, ou seja, moer cereais, logo que os ventos o permitissem em bom lugar e nas alturas de montanhas propícias, os moinhos aí eram levantados. Armavam velas brancas nas quatro vergas cruzadas num forte mastro horizontal, saído pela trapeira em cobertura cónica, e sempre a girar e a moer ao sabor das correntes aéreas.


De norte a sul de Portugal há moinhos de água e de vento. Tantos já recuperados e milhares deles ainda permanecem na ruína a que foram deixados chegar por força do abandono e da lei da electricidade, como por exemplo no Rio Leça. Mas os tempos de hoje pedem mudança de mentalidades e um rápido regresso ao passado, aproveitando a força motriz natural.
Isolados, aos pares, em filas horizontais ou verticais, existe um grande rosário de moinhos sempre bem enquadrados e a funcionar, para os podermos admirar e visitar. Dão uma enorme beleza e enriquecem a paisagem portuguesa.
Sendo património do passado, devemos hoje preservar e deixar esta cultura, a «Molinologia», às gerações futuras. 


Moinhos de Portugal (2)

A actividade moageira assumiu, no distrito de Aveiro, um papel primordial como antecedente da própria actividade industrial, mas também como importante repositório de técnicas e saberes tradicionais. Além disso, a sua importância ao nível sociológico e cultural, marcaram para sempre inúmeras gerações, sendo que hoje em dia um moinho ainda fascina e atrai quem tem o privilégio de o ver a funcionar e ouvir as histórias e as lendas dos antigos moleiros(...).
Saiba mais neste site:
 




Alguns trechos deste emocionante tema que recolhi e aqui deixo para todos lerem:







Um lugar emblemático: PENACOVA (de outros tempos e de hoje)



E o meu triste e fustigado Rio Leça:

Rio Leça, Rio Leça,
Com teus moinhos à beira,
Leva esta carta de amor
Àquela linda moleira.



Uma singela peça de teatro:



 Poema de homenagem às "Moleiras" de Portugal:

 A moleira Maria

Ainda mal rompeu o dia
Já ela vai a caminho,
A moleirinha Maria
De regresso do moinho.

O jumento carregado
De poeirenta farinha,
Corre de lado p’ra lado
Para voltar à noitinha.

E a Maria puxando
A arreata do jumento,
Sorridente, vai cantando
As agruras do momento.

E trabalha com prazer
Toda em paz e harmonia,
Porque merece viver
Em verdadeira alegria.

Poema de Albano Magalhães


Foto: José Antunes Marques de Abreu (Vida Rústica)

quarta-feira, 3 de abril de 2013