sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

As desigualdades sociais... em poesia!

Do Mestre António Aleixo (voz do Povo)

Tu já viste a «poesia»
Que há numa casa sem ceia?
Nem azeite na candeia,
Nem luz, se morre a do dia?...

É triste que a gente veja
Tanta gente que não come:
O pão que a muitos sobeja
Matava bem essa fome.
                                                                                                         
A fome, a dor, a tristeza
São - por nossa infelicidade -
O preço porque a pobreza
Paga a sua honestidade.


 A fartura ao pé da fome
Raramente se dá bem:
Quase sempre quem tem come
À custa de quem não tem!

Esta camisa é velhinha...
Mas o que querem que faça?!
Há mais novas do que a minha,
Mas só compra quem tem massa!

O Povo do meu País
P'ra se esquecer que não come,
Vê a imprensa que diz
Que em Portugal não há fome!



Pobres, porque aumentam eles?
É fácil de compreender:
Para serem escravos daqueles
Que podem fugir de o ser.

Entre grandes e pequenos
Ficávamos quase iguais,
Dando a uns um pouco menos
E a outros um pouco mais.

Sei que há-de haver quem conheça,
Mas há muitos que ignoram
Que há quem não chore e padeça
Mais do que muitos que choram.



Prometem ao «Zé Povinho»
Liberdade, Lar e Pão...
Como se o mundo inteirinho
Não soubesse o que eles são!

E essa mascarada enorme
Que a política nos aldraba,
Dura enquanto o Povo dorme,
Quando ele acordar, acaba!

Se essa firme hipocrisia
Tombar do seu pedestal,
Vai nascer, dia após dia,
O Sol p'ra todos igual!


Será que há uma luz ao fundo do túnel?!

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