terça-feira, 25 de agosto de 2015

Cada um queixe-se de Si


(como hoje foi mais um dia azarado...)

Queixa-se da fortuna um descontente,
Outro da sua estrela, outro do fado,
Outro da sorte; e sempre um desgraçado,
Encontra desabafo no que sente.

Alguns cuidam que o mal é contingente,
E pragueja do acaso; outro indignado
Grita, lamenta e diz que o Céu sagrado
É surdo à rouca voz da triste gente.

Há gente que aos Santos Deuses ameaça,
Que lhes chama cruéis, e o desatino
A negá-los de todo às vezes passa.

Eu só contra mim brado e me incrimino;
Pois sei que sou no extremo da desgraça,
Artífice infeliz do meu destino!

(Soneto de Paulino António Cabral-Abade de Jazente)


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