sábado, 20 de fevereiro de 2010

4ª Edição da "Matança do Porco" (2)

14 de Fevereiro de 2010
FREGUESIA DE MONDIM DE BASTO

Poesia de Mondim de Basto

Aqui

Aqui,
nesta lonjura,
neste remanso do mundo,
nesta terra prometida,
neste quinchote de duros,
onde até a agricultura,
está dividida,
por muros...

Aqui,
neste lagar de medronhos,
onde se pisam os sonhos,
e se mede a morte aos cestos...

Aqui,
onde se comunga e come,
o sacrifício da fome,
num caldinho de labrestos...

Aqui,
a minha gente,
sabe da vida e da morte:
Vai esperando a sorte,
verticalmente!

Poema de Luís Jales de Oliveira
(Mondim de Outrora)

Barragem do Fridão

A Barragem de Fridão encontra-se projectada para ser construída no limite das freguesias de Fridão e Codeçoso, dos concelhos de Amarante e de Celorico de Basto, respectivamente, 6 km a montante da cidade de Amarante. Com a supressão da localização intermédia prevista inicialmente par o nível de Senhora da Graça (Mondim de Basto), prevê-se que a Barragem de Fridão possa atingir uma altura de 110 metros, que a morfologia do lugar comporta. Planeada para interceptar o leito do rio Tâmega e nele reter um volume de 210hm3 de água, a Barragem de Fridão, tanto pela sua dimensão como pela posição relativa face à cidade de Amarante, vem colocar em questão não só os impactes ecológicos imediatos resultantes da inundação que a albufeira originará nos concelhos de Basto, mas, sobretudo, os impactes directos potencialmente consequentes a jusante da respectiva construção. Assim será no que se relaciona com o desvio do leito do rio Olo, na parte final do seu traçado; a dificuldade em garantir-se a manutenção do caudal ecológico do próprio rio Tâmega em período normal de estiagem entre a Barragem de Fridão e a cidade de Amarante; a integridade e eficiência do sistema de captação, tratamento e abastecimento público de águas, partindo do rio Tâmega, em consequência da libertação das águas quimicamente alteradas depois de acumuladas na albufeira.

A transformação do Vale

Com a artificialização integral do rio Tâmega em sistema de «cascata», as águas serão travadas em toda a extensão das albufeiras das barragens do Torrão e de Fridão. Esse facto constituirá uma forma objectiva de retirar a vida ao vale do rio Tâmega, de promover a degradação da qualidade do ambiente, de fazer explodir a paisagem com o afogamento do rio e do vale em suas próprias águas. Dessa forma eventual, recursos endógenos únicos serão transformados num somatório de albufeiras articuladas entre si em cascata de águas mortas. O vale do rio Tâmega será definitivamente perdido para as albufeiras.

Podes saber mais aqui:

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