domingo, 4 de outubro de 2009

03-10-2009 PR12 Terras de Bouro

Trilho dos Moinhos
de Santa Isabel do Monte – 20,5 km / circular
Rede de Percursos Pedestres “Na senda de Miguel Torga”


Olá Companheiros e Amigos

Tenho tanto trabalho e prazo estipulado para elaborar o curso RVCC das Novas Oportunidades que recentemente iniciei mas, quem me conhece sabe como sou louco por estas coisas de “Pedestrianismo e Convívio”.
Por isso, é com agrado vos deixo uma breve crónica deste maravilhoso evento.

Percorremos no sábado o “Trilho dos Moinhos de Santa Isabel do Monte” que se inicia junto ao painel interpretativo, próximo à Capelinha das Nossas Senhoras do Socorro, das Necessidades e da Saúde. Situa-se, concretamente na aldeia de Campo de Abades, a cerca de 15 km de Santa Maria do Bouro.
Esta aldeia teve origem numa granja cisterciense, fundada pelos monges beneditinos do Mosteiro de Santa Maria de Bouro. Para além da Casa dos Bernardos, outros antigos imóveis que pertenciam a esta Ordem Religiosa continuam a ser recuperados para fins turísticos. Podemos admirar os característicos canastros ou espigueiros, os palheiros e os currais dos porcos e das vacas que, quando chegamos pela manhã, vagueavam pelas bermas da estrada.
Um pequeno monumento mas, grande em histórias e lendas é o Cruzeiro ou Alminhas de Rebordochão. No próprio local explicamos aos Companheiros uma particularidade única: a cruz de pedra que lhe pertence não está colocada em cima do oratório mas ao lado deste. As gentes da região afirmam que já por diversas vezes a tentaram colocar no sítio certo mas no dia seguinte ela aparece de novo fora do lugar. Atribuem este mistério ao demónio porque, dizem eles, só pode ser obra do “mafarrico”, visto que é impossível uma ou duas pessoas deslocarem a Cruz de pedra tão pesada.
Para além de força motriz aos típicos moinhos, os cursos de água bordejam campos verdejantes. As chãs e as hortas foram surgindo, contornadas por muros de pedra solta, fazendo fronteira aos caminhos que fomos calcorreando, intercalados por núcleos de frondosos bosques, onde predomina o carvalho negral em abundância e por entre a vegetação se escondem grupos de garranos do Gerês, uma espécie característica do Noroeste de Portugal, que devemos preservar.
Este trilho é na realidade duma beleza incrível. Os 29 moinhos recuperados, a grande diversidade de animais e uma paisagem fabulosa que podemos admirar, foram componentes que deixaram todo o Grupo fascinado.
Porque a totalidade da sua extensão é de 20 km, houve um elemento que se ressentiu do esforço e outros, em virtude do piso irregular, pequenas quedas.
O último terço do Trilho encontra-se nalguns pontos mal sinalizado, tendo o nosso Guia que improvisar para que voltássemos a retoma-lo e chegássemos ao seu termo, agora acompanhados por uma chuva fraca, tão esperada e que se saúda.
Felizmente, tudo foi ultrapassado e saldou-se pela positiva este nosso evento.
De salientar que para além de Campo de Abades, também visitamos outras aldeias serranas, como Rebordochão, Alecrimes, Seixaria e muito especial Ventuzelo, onde fomos bem recebidos e presenteados pela Dª. Rosa com cachos de uvas tão docinhas que tinha acabado de vindimar. Registamos com agrado e agradecemos tão nobre gesto, considerando uma bofetada no egoísmo. Obrigado, Dª. Rosa pela sua simpatia!
Numa paisagem característica de Montanha, com enormes penedias, bosques e chãs de cultivo, o pastoreio ainda se pratica em grande escala pelas encostas ingremes, onde presenciamos, inclusive, um rebanho misto de cerca de 600 cabeças, conduzido por duas jovens pastoras.
Que impressionante! Na vespera de se comemorar o Dia Mundial do Animal, foi aliciante.

É no entanto, junto dos cursos de água, concretamente os Ribeiros da Ponte e de Rebordochão, braços que irão dar origem ao Rio Nava, afluente do Cávado, que este trilho assenta na verdadeira ascensão do nome que lhe atribuíram, os “Moinhos”.
Ao longo da totalidade da sua extensão que percorremos, podemos ver cerca de três dezenas de moinhos e azenhas, engenhos que ao nível da sua estrutura edificada em granito tradicional da região, estão totalmente recuperados, quiçá alguns ainda preparados para o exercício dessa antiga e tradicional arte rural.
A actividade moageira foi, ao longo de séculos, uma fonte primordial de riqueza nestas regiões, onde sempre se cultivou o milho em abundância. É também muito importante como repositório de técnicas e saberes tradicionais. A recuperação destes moinhos é duma importância vital, quer no enquadramento paisagístico, quer ao nível turístico, sociológico e cultural. A arte de moleiro, caída em desuso por força da “evolução”, marcou para sempre inúmeras gerações. Passados séculos – quem diria - um moinho ainda fascina e atrai tanta gente de diversos quadrantes sociais, com o propósito de o ver a funcionar, admirar os engenhos e as telúricas levadas que desviavam a água para força motriz.
Garanto-vos que vale a pena percorrer este trilho e acrescentar ao rol dos melhores da região do Gerês.

Quero uma vez mais evidenciar o espírito de grupo demonstrado por todos nos momentos mais difíceis, onde o Guia Guilherme Martins foi sempre a nossa referência!

Brevemente aqui vos deixarei mais fotos do evento.

Continua…

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