sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Dia de poupança ou...

POUPAR TODOS OS DIAS ?!


(Versículos do PÃO NA MESA)

Pão nosso de cada dia,
Dêem-se graças a Deus!
O que é ter fome para a fome
Que nunca o saibam os meus!

A mesa quando está posta
É tal e qual um altar:
- Toalha branca de neve,
Jesus no pão p'ra se dar.

Partiu-se o pão em fatias,
Caíu para o chão um bocado,
Que o pão agora caído
Por nós não seja lembrado!

Por nós não seja lembrado
O pão caído sem querer:
- É já erguê-lo e beijá-lo,
(Pode-se Deus ofender!)

«Não como o pão que está duro,
Dê-me outro, faça o favor!»
- «Filho que nunca nos falte
Com ele Nosso Senhor!» 

É bom comer-se de tudo,
Quem sabe lá o que vem?!
Pão nosso de cada dia
Nunca nos faltes, Amém!

Temos acesa a candeia,
Temos a côdea certinha.
Óh, quanta casa às escuras
Sem ter um pó de farinha!

Pãozinho quente do forno,
Fim de semana amassou-se.
É para a pobreza o pão mole
O que é para os ricos o doce!

Ó Padre-nosso, o pão nosso
De cada dia nos dáis!
Comer-se quanto se queira
São mais os menos que os mais!

A mesa quando está posta
Lembra um altar novozinho:
O pão é o corpo de Deus
E o sangue Dele é o vinho!

Versos de António Sardinha

Lá diz o POVO:

" Louvado seja a fartura, que a fome ninguém a atura! "

sábado, 29 de outubro de 2011

O CORVO E O PAVÃO


Passeando o pavão com ufania,
É fama que dissera ao corvo um dia:
- Repara quanto devo à Natureza,
Olha que lindas cores, que viveza!
Que adorno, que matiz! Olha este rabo!
Em mim não há senão; E tu, diabo
Negro como o carvão, como um besouro,
Ainda és, de mais a mais, a ave do agouro!

O corvo, que na língua não tem papas,
Lhe responde: - Essas penas são guapas,
Mas, para refrear teu desvario,
Observa dessas pernas o feitio. -
Ainda (quem dará crédito a isto?)
As próprias pernas o pavão não tinha visto!
Mas que muito, se há gente, e gente grave,
Que em seus olhos não vê nem uma trave?

Poema de M. M. de Barbosa du Bocage

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ditados Populares - OUTUBRO


- Outubro quente, tráz o demo no ventre
- Outubro seca tudo
- Outubro pega tudo
- Outubro recolhe tudo
- Por S. Francisco semeia o teu trigo,
E a velha que o dizia semeado o tinha.
- Por S. Lucas sabem as uvas
- Por S. Simão e S. Judas, colhidas são as uvas
- Por Santa Ireia pega nos bois e semeia

(Pesquisa Literária Popular)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dia Mundial do Animal - 2011


Outubro é o mês de S. Francisco.
Todos os Cristãos sabemos que a missão de S. Francisco de Assis em vida consistia em pregar a caridade Cristã, praticando-a na maior da simplicidade, no Amor a Deus e aos homens.

São Francisco de Assis, (Franciscus van Assisi) nasceu em Assis, antiga cidade de Itália, a 26 de Setembro de 1182, situada na região da Úmbria. Para além de pobre, passou por um período de doença na sua vida, a partir do qual decidiu passar a ajudar os mais carenciados. Francisco de Assis também amava os animais e protegia-os. Os cães lambiam as chagas e as aves pousavam no seu regaço quando as alimentava. Morreu a 4 de Outubro de 1226. Dois anos após a sua morte foi santificado.
Em 1929 no Congresso de Protecção Animal em Viena de Áustria, foi declarado o dia da morte de São Francisco de Assis como o Dia Mundial do Animal. A bondade de São Francisco de Assis pelos animais ficou assim eternamente reconhecida!

Neste também meu reconhecimento pelo amor aos animais, deixo aqui esta maravilhosa "Lenda":

O LOBO DE S. FRANCISCO DE ASSIS

Andava o povo assustado
A fazer a montaria
Ao grande lobo esfaimado
Que tanto mal lhe fazia.

Ele levava nos dentes
Agudos e carniceiros
Os "meninos inocentes"
Que são os alvos cordeiros.

E as pessoas assaltando,
Vinha de noite, em segrêdo,
Com seus olhos chamejando,
Encher a gente de mêdo.

Ora, S. Francisco era
Incapaz de querer mal
Mesmo que fosse a uma fera,
Até ao tigre real.

Tinha tão bom coração
Que homens e bichos o amavam,
E as andorinhas poisavam
Na palma da sua mão.

E, como ele desejava
Que tudo vivesse em Paz,
Enquanto o povo caçava,
O Santo, Poeta, que faz?

Procura o lobo cruel
E, tendo-o encontrado enfim,
Chamou-o, foi para ele,
Sorriu-lh e falou-lhe assim:

- Eu sei porque fazes mal,
Eu sei o que te consome:
«Tu és tão mau, afinal,
Tu és mau porque tens fome!»

Pois bons amigos seremos,
Para nosso e teu descanso,
E de comer te daremos
Para poderes ser manso!

Promete que hás-de mudar
De vida, neste momento;
E em sinal de juramento
Alevanta a pata no ar
E põe-na na minha mão!

Jurou o lobo. E cumpriu...
Depois toda a gente o viu
Tão mansinho como um cão!

Poema de Afondo Lopes Vieira

OS ANIMAIS SÃO NOSSOS AMIGOS!

domingo, 25 de setembro de 2011

Ditados Populares - SETEMBRO


- Agosto amadura, Setembro vindima
- S. Miguel das uvas, tarde vens e pouco duras.
Se mais vezes vieras no ano, não estivera com amo.
- Agosto tem a culpa, Setembro leva a fruta
- Agosto amadura, Setembro derruba
- Arranja bom Setembro, com a burra eu te ficarei
- Setembro planta, colhe e cava, que é mês para tudo
- Setembro, colhendo e comendo
- Setembro que enche o celeiro dá um triunfo ao rendeiro
- Setembro ou seca as fontes, ou leva as pontes
- Águas verdadeiras pelo S. Mateus as primeiras
- Pelo S. Mateus, faz contas co'as ovelhas, que os borregos já são teus
- Para boas colheitas, pede a Deus bom tempo nas têmporas de S. Mateus
- Dia de S. Mateus, vindimam os sisudos, semeiam os sandeus
- Por S. Mateus, pega nos bois e lavra com Deus
- Em 29 de Setembro, fecha S. Miguel as asas (acaba a fruta de Verão)
- Para que o ano não vá mal, onde os rios três meses encher, entre S. Mateus e o Natal

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Regra para quem quiser viver em paz


Ouve, vê e cala,
E viverás vida folgada:
Tua porta cerrarás,
Teu vizinho louvarás,
Quanto podes não farás,
Quanto sabes não dirás,
Quanto vês não julgarás,
Quanto ouves não crerás,
Se quiseres viver em paz.
Seis coisas sempre vê,
Quando falares, te mando,
De que falas, onde e quando:
Nunca fies nem perfies
Nem aos outros injuries,
Não estejas muito na praça
Nem te rias de quem passa;
Seja teu tudo que vestes,
A ribaldos não doestes,
Nem cavalgarás em potro.
Nem tua mulher gabes a outro,
Não cures de ser picão
Nem travar contra a razão.
Assim lograrás t'as cãs
Com tuas queixadas sãs.

D. João Manuel
(Cancioneiro geral de Garcia de Resende)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ditados Populares - AGOSTO


- 1º de Agosto, primeiro dia de Inverno
- Lá vem Agosto com seus Santos ao pescoço
- Agosto, frio no rosto
- Quando chover em Agosto, não metas teu dinheiro em mosto.
- Agosto e vindima
Não vem cada dia
Mas sim cada ano.
Uns com ganância
E outros com dano.
- Água em Agosto
Açafrão, mel e mosto
- Em Agosto, sardinha e mosto
- A quem não tem pão semeado, de Agosto se faz Maio
- Quem  não debulha em Agosto, debulha com máu rosto
- Quem não debulha em Agosto, debulha contra seu gosto
- Se não debulhas em Agosto, terás sempre desgosto
- Quem em Agosto ara, riqueza prepara
- Cava e esterco em Agosto, do lavrador alegra o rosto
- Não é bom o mosto colhido em Agosto
- A 15 por S. Lourenço, vai à vinha e enche o lenço
- A terra lavrada em Agosto, a estercada dá de rosto
- Queres ver teu marido morto, dá-lhe couves em Agosto
- Em Agosto, toda a fruta tem seu gosto
- Em Agosto, nem vinho nem mosto
- A 15, por Santa Maria de d'Agosto, repasta a vaca um pouco
- Por Santa Maria
Vai ver tua vinha
E qual a achares
Tal a vindima
- Em Agosto os montes
Em Setembro as fontes (secam)
- Nem em Dezembro marear
Nem em Agosto caminhar

(Recolha Literária Popular)