quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A nossa riqueza natural arde... assustadoramente!

Por todo o País a floresta arde, mas os incêndios na área do Parque Nacional Peneda Gerês já desbastaram imensos hectares e habitats importantes, como do Lobo Ibérico, concretamente na Serra Amarela, desde Vilarinho da Furna.

Mas agora a situação mais preocupante é o incêndio que lavra na região do Lindoso e que pode ameaçar a área de reserva da imponente Mata do Cabril.
Negligência ou crime? Perde-de imenso património natural, imensa biodiversidade e nunca se sabe a verdadeira causa e de quem é a culpa, para ser punido!
Porque é que nestas alturas não há mais vigilância? A Administração Interna, a direcção do Parque e as Autarquias locais não podem actuar mais eficazmente no terreno, com mais elementos de vigilância durante esta época do ano?
O caso está a ser dramático que até o Parque de Campismo do Vidoeiro ordenou a evacuação de meio milhar de campistas, vitimas de um incêndio que começou na Calcedónia e alastrava no sentido da Vila do Gerês, próximo ao seu rio. No concelho de Ponte da Barca, concretamente no Soajo, o Parque de Campismo da Travanca, às portas do PNPG, teve igualmente de ser encerrado, por falta de condições de segurança para os Campistas.
São notícias tristes e que me deixam tão triste!
Se forem por acção criminosa, punam essa gente com cadeia. Se é por desleixe e falta de civismo, apliquem pesadas multas a quem prevarica.
São de lamentar as vidas já perdidas de quem exaustivamente combatia as mortíferas chamas.
Os meus sinceros pêsames às famílias enlutadas. Portugal também perde voluntários heróicos!
Recordo-me que no ano de 2005, numa das minhas incursões a esta maravilhosa Serra, ao chegar emocionei-me, pelo simples facto de não haver incêndios. Eram lágrimas de alegria!
Na altura fiz uma breve crónica para a revista Acampar, que aqui vos deixo:

« Mais uma vez subi ao Gerês. Já lhe perdi a conta às vezes que aqui vim.
Ao passar Vilar da Veiga suspirei de alívio, pois os meus olhos embora humedecidos, não vislumbraram qualquer faúlha em lado algum. Tudo multicolor com o verde por fundo.
Baixinho, disse para comigo: Obrigado, meu DEUS!
O flagelo dos incêndios mergulha-me em pranto e provoca uma revolta inexplicável que só aquela profecia que oiço desde pequenino, negativamente me conforma: «Homem, em pó te hás-de tornar!»
Chego à Portela e estremeço com... tanta serenidade!
Nos dias como este com tanto sol e sem vento, as árvores à minha volta parecem estátuas vivas como nos momentos de Prece ou Oração.
Nem os salgueiros, nem os carvalhos ou os amieiros acenam, aqui nas margens do Rio Homem. Pequenas nuvens também pararam no Céu.
Veio-me à lembrança aquela canção que ouvi da Susana Félix:

«O rio e o Céu, as árvores e eu,
A serra desenhada e a vista deslumbrada,
A água a transparecer, um letreiro diz:
Quem tiver sede beba e seja feliz!»

Esta quietude consola e mergulha-me na Paz.
Adoro quando estou por aqui quase sozinho. Por largos minutos o Mundo é todo meu!
Agora uma ave acentua o silêncio das coisas. O rio desce com pouca água, sempre gelada e pura. Como me apetece gritar:
- Aqui é bom viver!!!

A ave continua com a sua melodia. É ela a dar o tom a esta tarde tão bela e calma.
Se as pessoas imitassem as árvores e os pássaros e parassem mergulhando os olhos nas belezas da Natureza e na infinidade do Céu!...
Com o avanço dos anos, vou tendo uma nova noção das coisas. Vejo a Natureza de um modo diferente. Há algo de novo que cresce em mim.
O canto dos pássaros, o som da água e das árvores tem outra voz.
As pessoas, os animais e até os pedregulhos e penedos da serra têm outra fala.
A tarde avança tão devagar. Como sou tão pequenino aqui nesta imensidão da Terra.
De olhos fechados, medito naquilo que tenho ou não aproveitado durante este ano para meu enriquecimento Social e Humano e vem à mente essa minha recente paixão chamada “Pedestrianismo”.
A caminho dos 45, não raras vezes eu tenho desabafado: gostei sempre de caminhar e tão tarde eu conheci este fantástico desporto!
Agora eu vejo como as Pessoas, as serras, os monumentos e os rios têm uma importância vital na minha Vida.
Como me ardiam as orelhas quando parecia escutar aquelas palavras do malogrado poeta Eugénio de Andrade:

As Mãos e os Frutos

"Passamos pelas coisas sem as ver,
Gastos, como animais envelhecidos:
Se alguém chama por nós,
Não respondemos!
Se alguém nos pede Amor,
Não estremecemos!
Como frutos de sombra sem sabor,
Vamos caindo ao chão, apodrecidos!"

Subitamente, acordo deste sonho.
Miro o relógio. As horas passam. Mais uma vez o Mundo me chama às obrigações Humanas e eu não consigo fugir.
Regresso outra vez à cidade mas, deixo nesta serra mais um pedaço do meu coração!»


p.s.

Se estás de Férias merecidas, a passear ou fazer caminhadas e em contacto directo com a Natureza, respeita as normas de segurança, não faças fogueiras e nem fumes na floresta. Respeita as gentes locais e não afugentes os animais ou recolhas plantas.

Ah! E não te esqueças de trazer contigo todo o lixo daquilo que utilizares, como as embalagens, garrafas, sacos plásticos, etc...

A Floresta é de todos e devemos pensar que quem vem a seguir também quer encontrar tudo limpo! Para além de zelarmos, evitamos aumentar a poluição e deflagração de incêndios, preservando o futuro das gerações do amanhã!

Por isso:

Não mates mais que o tempo!
Não leves mais que recordações!
Não tires mais que fotografias!
Não deixes mais que pegadas!

Aquele Abraço

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