domingo, 19 de janeiro de 2014

19 de Janeiro é o dia de José Fontinha


VER CLARO

Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.

Poema de Eugénio de Andrade (Os sulcos da sede)











Eugénio de Andrade nunca quis protagonismo e viveu sempre extremamente distanciado do que se chama vida social, literária ou mundana, avesso à comunicação social, arredado de encontros, colóquios, congressos, etc. e as suas raras aparições em público devem-se a essa "debilidade do coração, chamada... amizade!"
A 13 de Junho de 2005 deixou esta terra este grande Homem e poeta!

Aquele Abraço


domingo, 5 de janeiro de 2014

2014 = «ENIGMA»




Até qualquer dia e que Deus nos ajude a todos!
Aquele Abraço

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

SANTO NATAL PARA TODOS








Último Natal

Menino Jesus, que nasces
Quando eu morro,
E trazes a paz
Que não levo,
O poema que te devo
Desde que te aninhei
No entendimento,
E nunca te paguei
A contento
Da devoção,
Mal entoado,

Aqui te fica mais uma vez
Aos pés,
Como um tição
Apagado,
Sem calor que os aqueça.
Com ele me desobrigo e desengano:
És divino, e eu sou humano,
Não há poesia em mim que te mereça.

Poema de Miguel Torga



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Manoel de Oliveira fez 105 anos!


Manoel Cândido Pinto de Oliveira nasceu a 11 de Dezembro de 1908 na freguesia de Cedofeita, na cidade do Porto. Tripeiro de gema, completa hoje 105 anos de idade. Conhecido no mundo do cinema como Manoel de Oliveira, ostenta o título de «Realizador mais velho do mundo no ativo».
Realizou até hoje 32 longas-metragens e por aqui não fica pois continua em franca atividade nessa fantástica arte.

                                   

Foi em 1942 que se aventurou na ficção como realizador com uma adaptação do conto “Os Meninos Milionários”, de João Rodrigues de Freitas, para filmar “Aniki-Bobó”.
Na realidade este filme, enternecedor e apaixonante, pois retratava a infância vivida por crianças na Ribeira do Porto, foi um fracasso comercial e só muito mais tarde viria a ser reconhecido como uma das melhores obras cinematográficas portuguesas.
Somos sempre assim e não damos valor na devida altura ao que é bom e positivo.
O fracasso de “Aniki-Bobó” levou inclusive o realizador a abandonar o cinema e a dedicar-se aos negócios da família, regressando mais tarde com “O Pintor e a Cidade” no ano de 1956.


"Aniki-Bóbó" é para mim o mais famoso filme deste nosso cineasta e guardo comigo um livrinho da “planificação” deste excelente trabalho e que aqui deixo alguns excertos de fotos e do conteúdo do filme.
Ao ser alvo das mais diversas homenagens, onde se realça a sua cidade natal que não o esquece, pois será inaugurada uma exposição intitulada "Manoel de Oliveira - 105 revistas", quero publicamente aqui dizer o quanto o admiro e estou grato por tudo que tem dado ao cinema português e que "Aniki-Bóbó" ficará para sempre na minha memória e de tantos que viveram infâncias semelhantes.


Parabéns, Sr. Manoel de Oliveira e receba deste humilde admirador


“Aquele Abraço”













quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

"Gatunagem" em S. Mamede de Infesta


Em vários locais da cidade de S. Mamede de Infesta está há vista de todos o resultado dos atos de vandalismo e pilhagem que alguns lugares estão a ser alvos. 
Obras que foram realizadas para resistir ao tempo e dar boa proteção aos espaços envolventes, como gradeamento novo na Via Férrea (Linha de Cintura/Leixões) por parte da Refer e em vias públicas muros de excelente qualidade granítica e design, bem melhores que se fossem feitos de madeira, como seria normal em tempo de crise.
O que eles não estão a resistir é às mãos sujas de ladrões, que roubam para si o que devia ser usufruído por todos.
Por este andar, se aqueles espaços não forem vigiados, em pouco tempo não restará nada sequer para amostra. Entidades credíveis e Autarquias locais, ás vezes com tanto esforço orçamental fazem estas obras para a localidade e para todos.
Com este vandalismo, estes locais vão-se degradando e deixam imagens desoladoras.
...Para não falar das tampas e grelhas pluviais que "voam" do chão das ruas.

Será isto "justificação" de alguns para a crise social que se atravessa?

É lamentável, em pleno século XXI, ainda se assistir a cenas destas, praticadas por gatunos da sociedade, “gentes”sem ética social e sem escrúpulos, a todos os títulos condenável!









Depois venham dizer que autarquias e empresas não fazem nada, só querem ganhar eleições ou ter lucros!?

sábado, 30 de novembro de 2013

... Nas mãos vazias do Povo !



Trova do vento que passa


Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
E o vento cala a desgraça,
O vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
Tanto sonho à flor das águas
E os rios não me sossegam
Levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
Ai rios do meu país,
Minha pátria à flor das águas
Para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
Pede notícias e diz
Ao trevo de quatro folhas
Que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
Por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
Quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
Direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
Vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
Ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
Nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
Dos rios que vão pró mar
Como quem ama a viagem
Mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
Vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
E fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
Nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
Só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
À beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
Se notícias vou pedindo
Nas mãos vazias do povo
Vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
Dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
E o vento nada me diz.

Quatro folhas têm o trevo
Liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
Aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
Dentro da própria desgraça
Há sempre alguém que semeia
Canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não.


Poema de Manuel Alegre