quinta-feira, 21 de março de 2013

Todos os dias surge-nos a Poesia!


Se o sofrimento dá mais ser à Poesia, que mais podemos querer, senão chorar?.....

Ao desconcerto do Mundo 

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim
Anda o mundo concertado

Luís Vaz de Camões


Vai para um Convento! 

Falhei na Vida. Zut! Ideais caídos!
Torres por terra! As árvores sem ramos!
Ó meus amigos! Todos nós falhamos...
Nada nos resta. Somos uns perdidos.

Choremos, abracemo-nos, unidos!
Que fazer? Porque não nos suicidamos?
Jezus! Jezus! Resignação... Formamos
No mundo, o claustro-pleno dos vencidos.

Troquemos o burel por esta capa!
Ao longe, os sinos místicos da Trappa
Clamam por nós, convidam-nos a entrar...

Vamos semear o pão, podar as uvas,
Pegai na enxada, descalçai as luvas,
Tendes bom corpo, Irmãos! Vamos cavar...

António Nobre (Só) 


Denúncia

Acuso-te, Destino!
A própria abelha às vezes se alimenta
Do mel que fabricou…
E eu leio o que escrevi
Como um notário um testamento alheio.
Esvazio o coração, cuido que me exprimi,
E vou a olhar o poço, e ele continua cheio!

Acuso-te e protesto.
É manifesto
Que existe malvadez ou má vontade!
Com a mais humilíssima humildade,
Requeiro, peço, imploro…
Mas trago às costas esta maldição
De sofrer com razão ou sem razão,
E de não ter alívio nas lágrimas que choro!

Miguel Torga


« Há livros, há poemas, há telas, há partituras, que basta um livro, um poema, uma tela, uma partitura, para que o seu autor transponha as portas da eternidade.
Certo que sempre será uma  eternidade precária, restrita, porque curta é a memória dos Homens e a dita só acontece quando os vivos se lembram dos mortos! »

Palavras de Fernando Pessoa

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