terça-feira, 23 de junho de 2009

Ao jeito de S. João


Quantas vezes a memória
Para fingir que inda é gente,
Nos conta uma grande história
Em que ninguém está presente.

Duas horas te esperei.
Duas mais te esperaria.
Se gostas de mim não sei...
Algum dia há de ser dia ...

Quando vieste da festa,
Vinhas cansada e contente.
A minha pergunta é esta.
Foi da festa ou foi da gente?

Tua boca me diz sim,
Teus olhos me dizem não.
Ai, se gostasses de mim
E sem saber a razão.

Duas vezes eu tentei
Dizer-te que te queria,
E duas vezes te achei
Só a que falava e ria.

Castanhetas, castanholas -
Tudo é barulho a estalar.
As que ao negar são mais tolas
São mais espertas ao dar.

O manjerico e a bandeira
Que há no cravo de papel -
Tudo enche a noite inteira,
Ó boca de sangue e mel.

A abanar o fogareiro
Ela corou do calor.
Ah, quem a fará corar
De um outro modo melhor!

Manjerico que te deram,
Amor que te querem dar...
Recebeste o manjerico.
O amor fica a esperar.

Esse frio cumprimento
Tem ironia p'ra mim.
Porque é o mesmo movimento
Com que a gente diz que sim...

Quando chegaste à janela
Todos que estavam na rua
Disseram: olha, é aquela,
Tal é a graça que é tua!

O que sinto e o que penso
De ti é bem e é mal.
É como quando uma chávena
Tem o pires desigual.

Nunca houve romaria
Que se lembrassem de mim...
Também quem se lembraria
De quem se lamenta assim?

O teu cabelo cortado
A maneira de rapaz
Não deixa justificado
Aquele amor que me faz.

Puseste um vaso à janela.
Foi sinal ou não foi nada,
Ou foi p'ra que pense em ti
Que te não importas nada?

Quando te apertei a mão
Ao modo de assim-assim,
Senti o meu coração
A perguntar-me por mim.

Esse xaile que arranjaste,
Com que pareces mais alta
Dá ao teu corpo esse brio
Que à minha coragem falta.

Quando me deste os bons dias
Deste-mos como a qualquer.
Mais vale não dizer nada
Do que assim nada dizer.

Andei sozinho na praia
Andei na praia a pensar
No jeito da tua saia
Quando lá estiveste a andar.

Trazes um manto comprido
Que não é xaile a valer.
Eu trago em ti o sentido
E não sei que hei de dizer.

Manjerico, manjerico,
Manjerico que te dei,
A tristeza com que fico
Inda amanhã a terei!

Quadras de Fernando Pessoa

quinta-feira, 28 de maio de 2009

ELES COMEM TUDO !!!

Mais um "TETRA"




Um Abração à DRAGÃO !!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

20-01-2007 Trilhos do Vouga

REDE DE PERCURSOS PEDESTRES DE S. PEDRO DO SUL

Percurso da parte da manhã (5 km / Circular)

No município de São Pedro do Sul, o Trilho do Vouga, aqui chamado Percurso do Vouga, tem início nas Termas de São Pedro do Sul, junto ao Centro de Interpretação do Vouga.

Percorrendo 3 Km nas duas margens do rio, liga as Termas à Quinta de Valgode. Na sua margem esquerda, o troço da antiga Via Romana (Lafões) é deveras bucólico e sereno.

Trata-se de um percurso ambiental, inaugurado a 12 de Maio de 2006.
Ao longo do trilho, deparamo-nos com painéis que descrevem a fauna e flora da zona ribeirinha.


A partir destes pontos, cada caminheiro pode improvisar à sua maneira, ligando, inclusive, com outros percursos de S. Pedro do Sul.

Nota final

Este pequeno percurso que hoje realizamos em S. Pedro do Sul (Termas), foi para nós como um chamamento para, ao longo do ano, virmos calcorrear os outros trilhos sinalizados que o Munícipio de S. Pedro do Sul implantou na sua área de jurisdição.
Iremos, no futuro, aqui deixar-vos testemunhos desses encantadores momentos.

Muito obrigado, Municicipio de S. Pedro do Sul, pelo excelente trabalho, turístico e desportivo, que foi a implantação dessa maravilhosa REDE DE PERCURSOS PEDESTRES.

Continua…

20-01-2007 PR1- N.ª Sr.ª do Castelo

Percurso da parte da tarde - 8 km / Circular
REDE DE PERCURSOS PEDESTRES DE VOUZELA
É um percurso de memórias.
É um percurso entre o passado, presente e o futuro.
É um caminho entre o Vouga e o Zela.

Esta pequena rota, com cerca de 8 Km, tem início bem no centro de Vouzela, no Parque da Liberdade.
Comece por atravessar a ponte pedonal sobre o rio Zela e siga à direita, onde irá encontrar a Fonte da Nogueira, também conhecida pela Fonte dos Amores. “diz-se que quem beber da sua água casará, com toda a certeza, em Vouzela”.

Chegando à rua da ponte siga à esquerda até encontrar a antiga linha de caminho de ferro (desactivada), volte novamente à sua esquerda até à ponte do caminho-de-ferro. Agora é só seguir as marcas vermelhas e amarelas que acompanham o troço da linha. Este troço é caracterizado pelo elevado valor paisagístico sobre o Vale do Rio Vouga.
Poucos metros antes de chegar à aldeia de Calvos irá deixar o caminho-de-ferro e começar a subir o Monte da N.ª Sr.ª do Castelo. Antes de atravessar a estrada nacional 228, encontrará a capela de S. Antão onde todos os anos no dia 17 de Janeiro “…concorrem… muitas… pessoas vindo em romagem… de muitas partes e freguesias deste Concelho que he muito dilatado dando suas esmolas para Missas e offertas para o mesmo Santo pello terem por especial advogado para lhe defender e conservar saons seus vivos como bois, bestas, gados e cochinos trazendo muitos destes bois e bestas a mesma capella…” (Memória Paroquial de Folgosa, 1758).

A próxima paragem será certamente o parque de merendas “Olho Marinho” para recuperar as forças. Depois do descanso, retome o caminho em direcção à N.ª Sr.ª do Castelo onde poderá encontrar vestígios de ocupação humana, a testemunhá-lo duas sepulturas antropomórficas escavadas na rocha, localizadas à direita das escadas de acesso ao Santuário da N.ª Sr.ª do Castelo, sobre um pequeno afloramento granítico.


Inicie a descida até a Vila de Vouzela onde certamente irá visitar a Igreja de N.ª Sr.ª da Assunção, Matriz de Vouzela (sec. XI – XII), um monumento ímpar da diocese de Viseu.

Texto: Folheto do Percurso/Município de Vouzela

Visitem Vouzela, percorrendo os maravilhosos trilhos sinalizados, que o Município implantou ao longo das suas Aldeias, com locais deveras encantadores e gentes simpáticas.

Obrigado, Vouzela!... por tão brilhante trabalho em prol do Pedestrianismo Nacional!


POESIA

(Antiga?.... Nem por isso!)

A Natureza

Fecunda Natureza, em vão procura
Contigo competir arte engenhosa;
Tu és mais agradável, mais formosa
Do que quanto inventou a arquitectura.

Como vem despenhada esta água pura!
Como se vê esta árvore frondosa
Convidando na sesta mais calmosa
A gozar do sossego e da frescura!

Sítio feliz, se fosses habitado
Por quem, livre de Amor e de tristeza,
Só em ti limitasse o seu cuidado:

Então seria, (que ditosa empresa!)
Num só verso, brando e delicado,
Visto todo o poder da Natureza!

Poema da Marquesa de Alorna

sexta-feira, 24 de abril de 2009

25 de Abril 2009

Portugal

Avivo no teu rosto o rosto que me deste,
E torno mais real o rosto que de dou.
Mostro aos olhos que não te desfigura
Quem te desfigurou.
Criatura da tua criatura,
Serás sempre o que sou.

E eu sou a liberdade dum perfil
Desenhado no mar.
Ondulo e permaneço.
Cavo, remo, imagino,
E descubro na bruma o meu destino
Que de antemão conheço.

Teimoso aventureiro da ilusão,
Surdo às razões do tempo e da fortuna,
Achar sem nunca achar o que procuro,
Exilado
Na gávea do futuro,
Mais alta ainda do que no passado.

Poema de Miguel Torga

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Páscoa Feliz

Desejo que todos passem uma SANTA PÁSCOA !

quinta-feira, 19 de março de 2009

21 de Março - Dia Mundial da Poesia



Deixo ao cego e ao surdo

Deixo ao cego e ao surdo
A alma com fronteiras,
Que eu quero sentir tudo
De todas as maneiras.

Do alto de ter consciência
Contemplo a terra e o céu,
Olho-os com inocência :
Nada que vejo é meu.

Mas vejo tão atento
Tão neles me disperso
Que cada pensamento
Me torna já diverso.

E como são estilhaços
Do ser, as coisas dispersas
Quebro a alma em pedaços
E em pessoas diversas.

E se a própria alma vejo
Com outro olhar,
Pergunto se há ensejo
De por isto a julgar.

Ah. tanto como a terra
E o mar e o vasto céu,
Quem se crê próprio erra,
Sou vário e não sou meu.

Se as coisas são estilhaços
Do saber do universo,
Seja eu os meus pedaços,
Impreciso e diverso.

Se quanto sinto é alheio
E de mim sou ausente,
Como é que a alma veio
A acabar-se em mente ?

Assim eu me acomodo
Com o que Deus criou,
Deus tem diverso modo
Diversos modos sou.

Assim a Deus imito,
Que quando fez o que é
Tirou-lhe o infinito
E a unidade até.

Fernando Pessoa