Quantas vezes a memória
Para fingir que inda é gente,
Nos conta uma grande história
Em que ninguém está presente.
Duas horas te esperei.
Duas mais te esperaria.
Se gostas de mim não sei...
Algum dia há de ser dia ...
Quando vieste da festa,
Vinhas cansada e contente.
A minha pergunta é esta.
Foi da festa ou foi da gente?
Tua boca me diz sim,
Teus olhos me dizem não.
Ai, se gostasses de mim
E sem saber a razão.
Duas vezes eu tentei
Dizer-te que te queria,
E duas vezes te achei
Só a que falava e ria.
Castanhetas, castanholas -
Tudo é barulho a estalar.
As que ao negar são mais tolas
São mais espertas ao dar.
O manjerico e a bandeira
Que há no cravo de papel -
Tudo enche a noite inteira,
Ó boca de sangue e mel.
A abanar o fogareiro
Ela corou do calor.
Ah, quem a fará corar
De um outro modo melhor!
Manjerico que te deram,
Amor que te querem dar...
Recebeste o manjerico.
O amor fica a esperar.
Esse frio cumprimento
Tem ironia p'ra mim.
Porque é o mesmo movimento
Com que a gente diz que sim...
Quando chegaste à janela
Todos que estavam na rua
Disseram: olha, é aquela,
Tal é a graça que é tua!
O que sinto e o que penso
De ti é bem e é mal.
É como quando uma chávena
Tem o pires desigual.
Nunca houve romaria
Que se lembrassem de mim...
Também quem se lembraria
De quem se lamenta assim?
O teu cabelo cortado
A maneira de rapaz
Não deixa justificado
Aquele amor que me faz.
Puseste um vaso à janela.
Foi sinal ou não foi nada,
Ou foi p'ra que pense em ti
Que te não importas nada?
Quando te apertei a mão
Ao modo de assim-assim,
Senti o meu coração
A perguntar-me por mim.
Esse xaile que arranjaste,
Com que pareces mais alta
Dá ao teu corpo esse brio
Que à minha coragem falta.
Quando me deste os bons dias
Deste-mos como a qualquer.
Mais vale não dizer nada
Do que assim nada dizer.
Andei sozinho na praia
Andei na praia a pensar
No jeito da tua saia
Quando lá estiveste a andar.
Trazes um manto comprido
Que não é xaile a valer.
Eu trago em ti o sentido
E não sei que hei de dizer.
Manjerico, manjerico,
Manjerico que te dei,
A tristeza com que fico
Inda amanhã a terei!



No município de São Pedro do Sul, o Trilho do Vouga, aqui chamado Percurso do Vouga, tem início nas Termas de São Pedro do Sul, junto ao Centro de Interpretação do Vouga.
Trata-se de um percurso ambiental, inaugurado a 12 de Maio de 2006.
A partir destes pontos, cada caminheiro pode improvisar à sua maneira, ligando, inclusive, com outros percursos de S. Pedro do Sul.
Muito obrigado, Municicipio de S. Pedro do Sul, pelo excelente trabalho, turístico e desportivo, que foi a implantação dessa maravilhosa REDE DE PERCURSOS PEDESTRES.
É um percurso de memórias.
Esta pequena rota, com cerca de 8 Km, tem início bem no centro de Vouzela, no Parque da Liberdade.
Chegando à rua da ponte siga à esquerda até encontrar a antiga linha de caminho de ferro (desactivada), volte novamente à sua esquerda até à ponte do caminho-de-ferro. Agora é só seguir as marcas vermelhas e amarelas que acompanham o troço da linha. Este troço é caracterizado pelo elevado valor paisagístico sobre o Vale do Rio Vouga.
Poucos metros antes de chegar à aldeia de Calvos irá deixar o caminho-de-ferro e começar a subir o Monte da N.ª Sr.ª do Castelo. Antes de atravessar a estrada nacional 228, encontrará a capela de S. Antão onde todos os anos no dia 17 de Janeiro “…concorrem… muitas… pessoas vindo em romagem… de muitas partes e freguesias deste Concelho que he muito dilatado dando suas esmolas para Missas e offertas para o mesmo Santo pello terem por especial advogado para lhe defender e conservar saons seus vivos como bois, bestas, gados e cochinos trazendo muitos destes bois e bestas a mesma capella…” (Memória Paroquial de Folgosa, 1758).
A próxima paragem será certamente o parque de merendas “Olho Marinho” para recuperar as forças. Depois do descanso, retome o caminho em direcção à N.ª Sr.ª do Castelo onde poderá encontrar vestígios de ocupação humana, a testemunhá-lo duas sepulturas antropomórficas escavadas na rocha, localizadas à direita das escadas de acesso ao Santuário da N.ª Sr.ª do Castelo, sobre um pequeno afloramento granítico.
Visitem Vouzela, percorrendo os maravilhosos trilhos sinalizados, que o Município implantou ao longo das suas Aldeias, com locais deveras encantadores e gentes simpáticas.

