sexta-feira, 21 de março de 2014

Primavera... são flores e dores!



DORES E FLORES

Trabalho com alegria e sofro.
Tenho dores de rim de minha mão,
Ao recordar o tempo ido de sopro
Em conversa amiga com alemão.

Na Paz e na guerra há sofrimento,
Pois tenho já barbas pretas e brancas,
E neste meio ainda me contento,
Desde que no mundo ouço almas santas.

Sinto uma velhice de mocidade
Sinto uma mocidade de velhice,
E por isso é que por aquilo que disse,
Que de novo já mantenho saudade.

Voltar de novo à mocidade antiga,
É girar de velho de vidas novas,
Numa evolução sem ser de covas,
Que deles haverá mais fadiga!

Vejo arder a luz dum candeeiro,
Vejo arder a luz duma lanterna,
Mas nunca a luz maior do sol inteiro,
Que mais teria gasto à sua berma.

Se nos caminhos há dores nos pés,
Se nos trabalhos há dores na mão,
Virão, por vezes, sonhos de revés,
Que darão mais alma ao coração.

Poema de Vasco de Almeida Martins


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