segunda-feira, 7 de maio de 2012

Dia da Mãe... sem Mãe!


Ao longo dos tempos, fui tomando conhecimento da personalidade humana que foi o Padre Américo, fundador da “Obra da Rua”, mais conhecida por Casa do Gaiato. Quando já sabia ler, comecei a fascinar-me pela sua literatura, testemunhos de grande Doutrina Cristã, de pobreza e Amor ao próximo que sempre defendeu. Impressionaram-me sobretudo as grandes lições de Humanidade, de situações que lhe surgiram ao longo da sua caminhada de “Recoveiro dos Pobres” e os pensamentos filosóficos que deixou registados para sempre no Jornal “O Gaiato” e nos Livros que escreveu.
Aqui deixo a compilação de uma história sua, verídica, dedicada em especial aos que não têm Mãe e que não podem comemorar o dia. Mas, ser Mãe é todos os dias, para sempre.



A verdadeira Mãe

«Um dia, quando visitava os meus pobres e procurava garotos abandonados para os recolher na Aldeia onde já tinha uma centena, subia uma rua da Baixa Portuense, quando ao longe, alguém ao avistar-me, pousou um cesto na berma e na direcção que eu seguia, desaparecendo de vista.
Quando me aproximei, ouvi um choro e ao levantar o xaile que cobria o mesmo, deparei-me com uma criança nascida há dias e ali depositada.
Nunca me passou pela cabeça que um dia esta situação me viesse a acontecer.
Com o coração destroçado e banhado em lágrimas, peguei nele e após embrulhá-lo na minha capa, sentei-me ali num degrau a chorar, sem saber o que fazer.
Passado algum tempo, uma pobre mulher que eu ajudei tantas vezes e seguia com um filhinho de meses ao colo, ao ver-me naquele estado, perguntou:
- O que tem Padre? Porque chora?
- Não imaginas quantas vezes eu sou mais pobre do que tu! – respondi.
E levantando a negra capa, mostrei-lhe o anjinho que repousava nos meus braços.
- Deparei-me agora com esta criança aqui abandonada e não sei o que fazer. Assim tão pequenino eu não posso nem tenho como criá-lo.
Para meu espanto, ela respondeu-me:
- Deixe-mo, Padre, que eu fico com ele.
- Mas tu não podes, de tão pobre que és e trazes ainda aí ao colo esse de meses para criar – retorqui.
- Posso sim, Padre… porque eu tenho dois peitos!
Como me senti tão insignificante aos pés desta mulher!
Jamais encontrei palavras para descrever a heroicidade desta verdadeira mãe!
E o meu coração vai-me matando…»

A primeira vez que li esta história, chorei tanto, sozinho e erguendo os olhos ao Céu, baixinho disse para comigo:
- Senhor, era esta a mãe que eu queria, mas esqueceste-Te de mim e não ma deste!   

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