quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ditados Populares - OUTUBRO


- Outubro quente, tráz o demo no ventre
- Outubro seca tudo
- Outubro pega tudo
- Outubro recolhe tudo
- Por S. Francisco semeia o teu trigo,
E a velha que o dizia semeado o tinha.
- Por S. Lucas sabem as uvas
- Por S. Simão e S. Judas, colhidas são as uvas
- Por Santa Ireia pega nos bois e semeia

(Pesquisa Literária Popular)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dia Mundial do Animal - 2011


Outubro é o mês de S. Francisco.
Todos os Cristãos sabemos que a missão de S. Francisco de Assis em vida consistia em pregar a caridade Cristã, praticando-a na maior da simplicidade, no Amor a Deus e aos homens.

São Francisco de Assis, (Franciscus van Assisi) nasceu em Assis, antiga cidade de Itália, a 26 de Setembro de 1182, situada na região da Úmbria. Para além de pobre, passou por um período de doença na sua vida, a partir do qual decidiu passar a ajudar os mais carenciados. Francisco de Assis também amava os animais e protegia-os. Os cães lambiam as chagas e as aves pousavam no seu regaço quando as alimentava. Morreu a 4 de Outubro de 1226. Dois anos após a sua morte foi santificado.
Em 1929 no Congresso de Protecção Animal em Viena de Áustria, foi declarado o dia da morte de São Francisco de Assis como o Dia Mundial do Animal. A bondade de São Francisco de Assis pelos animais ficou assim eternamente reconhecida!

Neste também meu reconhecimento pelo amor aos animais, deixo aqui esta maravilhosa "Lenda":

O LOBO DE S. FRANCISCO DE ASSIS

Andava o povo assustado
A fazer a montaria
Ao grande lobo esfaimado
Que tanto mal lhe fazia.

Ele levava nos dentes
Agudos e carniceiros
Os "meninos inocentes"
Que são os alvos cordeiros.

E as pessoas assaltando,
Vinha de noite, em segrêdo,
Com seus olhos chamejando,
Encher a gente de mêdo.

Ora, S. Francisco era
Incapaz de querer mal
Mesmo que fosse a uma fera,
Até ao tigre real.

Tinha tão bom coração
Que homens e bichos o amavam,
E as andorinhas poisavam
Na palma da sua mão.

E, como ele desejava
Que tudo vivesse em Paz,
Enquanto o povo caçava,
O Santo, Poeta, que faz?

Procura o lobo cruel
E, tendo-o encontrado enfim,
Chamou-o, foi para ele,
Sorriu-lh e falou-lhe assim:

- Eu sei porque fazes mal,
Eu sei o que te consome:
«Tu és tão mau, afinal,
Tu és mau porque tens fome!»

Pois bons amigos seremos,
Para nosso e teu descanso,
E de comer te daremos
Para poderes ser manso!

Promete que hás-de mudar
De vida, neste momento;
E em sinal de juramento
Alevanta a pata no ar
E põe-na na minha mão!

Jurou o lobo. E cumpriu...
Depois toda a gente o viu
Tão mansinho como um cão!

Poema de Afondo Lopes Vieira

OS ANIMAIS SÃO NOSSOS AMIGOS!

domingo, 25 de setembro de 2011

Ditados Populares - SETEMBRO


- Agosto amadura, Setembro vindima
- S. Miguel das uvas, tarde vens e pouco duras.
Se mais vezes vieras no ano, não estivera com amo.
- Agosto tem a culpa, Setembro leva a fruta
- Agosto amadura, Setembro derruba
- Arranja bom Setembro, com a burra eu te ficarei
- Setembro planta, colhe e cava, que é mês para tudo
- Setembro, colhendo e comendo
- Setembro que enche o celeiro dá um triunfo ao rendeiro
- Setembro ou seca as fontes, ou leva as pontes
- Águas verdadeiras pelo S. Mateus as primeiras
- Pelo S. Mateus, faz contas co'as ovelhas, que os borregos já são teus
- Para boas colheitas, pede a Deus bom tempo nas têmporas de S. Mateus
- Dia de S. Mateus, vindimam os sisudos, semeiam os sandeus
- Por S. Mateus, pega nos bois e lavra com Deus
- Em 29 de Setembro, fecha S. Miguel as asas (acaba a fruta de Verão)
- Para que o ano não vá mal, onde os rios três meses encher, entre S. Mateus e o Natal

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Regra para quem quiser viver em paz


Ouve, vê e cala,
E viverás vida folgada:
Tua porta cerrarás,
Teu vizinho louvarás,
Quanto podes não farás,
Quanto sabes não dirás,
Quanto vês não julgarás,
Quanto ouves não crerás,
Se quiseres viver em paz.
Seis coisas sempre vê,
Quando falares, te mando,
De que falas, onde e quando:
Nunca fies nem perfies
Nem aos outros injuries,
Não estejas muito na praça
Nem te rias de quem passa;
Seja teu tudo que vestes,
A ribaldos não doestes,
Nem cavalgarás em potro.
Nem tua mulher gabes a outro,
Não cures de ser picão
Nem travar contra a razão.
Assim lograrás t'as cãs
Com tuas queixadas sãs.

D. João Manuel
(Cancioneiro geral de Garcia de Resende)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ditados Populares - AGOSTO


- 1º de Agosto, primeiro dia de Inverno
- Lá vem Agosto com seus Santos ao pescoço
- Agosto, frio no rosto
- Quando chover em Agosto, não metas teu dinheiro em mosto.
- Agosto e vindima
Não vem cada dia
Mas sim cada ano.
Uns com ganância
E outros com dano.
- Água em Agosto
Açafrão, mel e mosto
- Em Agosto, sardinha e mosto
- A quem não tem pão semeado, de Agosto se faz Maio
- Quem  não debulha em Agosto, debulha com máu rosto
- Quem não debulha em Agosto, debulha contra seu gosto
- Se não debulhas em Agosto, terás sempre desgosto
- Quem em Agosto ara, riqueza prepara
- Cava e esterco em Agosto, do lavrador alegra o rosto
- Não é bom o mosto colhido em Agosto
- A 15 por S. Lourenço, vai à vinha e enche o lenço
- A terra lavrada em Agosto, a estercada dá de rosto
- Queres ver teu marido morto, dá-lhe couves em Agosto
- Em Agosto, toda a fruta tem seu gosto
- Em Agosto, nem vinho nem mosto
- A 15, por Santa Maria de d'Agosto, repasta a vaca um pouco
- Por Santa Maria
Vai ver tua vinha
E qual a achares
Tal a vindima
- Em Agosto os montes
Em Setembro as fontes (secam)
- Nem em Dezembro marear
Nem em Agosto caminhar

(Recolha Literária Popular)

domingo, 28 de agosto de 2011

FELIZES OS ALDEÃOS


É bem feliz, por certo, o que sómente
Ao rústico lavor acostumado
Conduzir sabe os bois, reger o arado
E dar à terra a próvida semente.

A arte de a lavrar sempre inocente
Estuda só, e ignora afortunado
As novas leis, as máximas do Estado,
E os documentos de enganar a gente.

Projetos vãos não forma, e sempre isento
Da soberba ambição, nunca a Lisboa
Foi dobrar o joelho ao valimento.

Cabana humilde, onde nasceu povoa;
E seguro no próprio abatimento,
Só tem medo do Céu, quando trovoa!

Poema de Paulino António Cabral (Abade de Jazente)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

À "laia" de AUSTERIDADE

Talvez a coisa mais triste
Que sente em toda a vida
É ver que em Portugal existe
Fome!... e a Esperança perdida!


(versos de António Aleixo)

Descreio dos que me apontem
Uma sociedade sã:
Isto é hoje o que foi ontem
E o que há-de ser amanhã.

Bate a fome à porta deles
E é lá mais mal recebida
Do que na casa daqueles
Que a sofreram toda a vida.

Envoltos em roupa suja,
A desfazer-se em pedaços,
Andam pobres à babuja
Dos meios-tostões dos ricaços.

Não me faças cumprimentos,
Deixa-te de hipocrisias:
O alívio aos sofrimentos
Não se dá com cortesias.

Sei que me hás-de compreender,
Porque, até nas entrelinhas,
Tu sabes ler, adivinhas,
O que não posso dizer.

Qu’ria que o mundo soubesse
Que a dor que tortura a vida
É quase sempre sentida
Por quem menos a merece.

Que o Mundo está mal, dizemos,
E vai de mal a pior;
E, afinal, nada fazemos
P’ra que ele seja melhor.

Que te curves, que te dobres,
Disto não podes fugir:
Há-de haver ricos e pobres
Enquanto o mundo existir!

Tanto da vida conheço
Que, ao ver o mundo tão torto,
Às vezes quando adormeço,
Desejava acordar morto.

Da guerra os grandes culpados,
Que espalham a dor na terra,
São os menos acusados
Como culpados da guerra.

Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes – esqueceste
Tudo quanto prometias...

Só quando a hipocrisia
Cair do seu pedestal,
Nascerá, dia após dia,
Um sol p’ra todos igual.

Vós que lá do vosso império
Prometeis um mundo novo,
Calai-vos que pode o Povo
Querer um mundo novo a sério!


Até qualquer dia
Aquele Abraço