sexta-feira, 10 de julho de 2009

18-02-2007 Matança do Porco (1)

MONDIM DE BASTO

Reviver a tradição da Matança do Porco

A freguesia de Mondim de Basto irá realizar no dia 18 de Fevereiro, uma matança do porco, como forma de reviver das tradições desta terra. Integrado no seu plano de actividades, a iniciativa irá simular os rituais tradicionais da matança do porco, servindo também para os mais novos, que não estão familiarizados com esta tradição, seguirem todos os passos da matança. Para os mais idosos, este evento constitui uma oportunidade de repetir gestos ancestrais, embora em algumas casas se faça ainda a matança do porco. Este evento proporcionará um recuo no tempo para recordar o dia de festa e azáfama, sempre que havia a matança do porco.
Nesta primeira iniciativa, trata-se de reconstituir uma tradição, não será pela manhãzinha e será um pouco mais tarde do habitual.O animal será atado por uma perna, enlaçado no focinho e colocado em cima do carro de bois, a grunhir, sem conseguir fugir à sorte que lhe esta destinada. Com a ajuda de outros homens, o matador irá simular com precisão, a grande facada no pescoço. Na matança real, quando o animal é morto, os guinchos do animal são essenciais para que o sangue saia todo e são sinal de que a espetada foi no sítio certo e não fica uma gota de sangue .O alguidar segue para a cozinha onde o sangue será cozido para daqui a pouco, ser levado como pitéu, juntamente com broa, o bacalhau, e vinho tinto.Depois de “extinto” faz-se uma pausa e é servido o mata-bicho (figos secos, aguardente, vinho do porto, bolos e café). Foi o dejejum (deixar de estar em jejum) daquele dia. Porém, a tarefa não esta terminada.

Prossegue o trabalho ali mesmo sobre o carro, o porco é chamuscado com a caruma do pinheiro em chama para lhe queimar o pêlo, começando a tarefa de lhe raspar a pele com telha de barro de canudo (meia cana), facas e outros objectos. Depois de bem queimado, retirados os cascos das patas e cortadas as orelhas, segue-se a lavagem da pele, até adquirir uma tonalidade castanha.Inicia-se uma nova fase com uma facada longitudinal no ventre do animal, retirando-lhe as miudezas e as tripas que são colocadas num tabuleiro de madeira. De seguida o porco é levado para o local onde o chambril, espécie de cruzeta de metal (antigamente era de pau de oliveira), cujas pontas são enfiadas entre os tendões dos pés, dependurando-se a carcaça de cabeça para baixo, para melhor escorrer. Em tempos idos, a carcaça ficava dependurada num lugar fresco a escoar até ao dia seguinte, quando seria desmanchada. A operação da desmancha requer muita experiência para não desperdiçar nenhum pedaço. Há que separar cada parte do porco: presunto, costeletas, os lombos e o “toucinho para as favas”, assim como a selecção da carne destinada aos enchidos. Desde tempos imemoriais que muitas famílias rurais criam porcos para consumo familiar. A dureza dos tempos assim obrigava para garantir a sobrevivência de famílias durante todo o ano. Ao longo de muitos séculos, a prática foi-se enraizando de forma acentuada nas famílias portuguesas, que actualmente a carne de porco propriamente dito, fazem parte da identidade nacional. Esta prática – matar o porco de forma tradicional, para alimentação familiar – vai muito mais além do simples acto de matar um animal para consumo caseiro, uma vez que deste acontecimento, a família e amigos reúnem-se num espírito de entreajuda e de festa na matança do porco, significa sempre o sentar a volta da mesa, num puro convívio social.

A Freguesia de Mondim de Basto vem convidar todos a participar neste grandioso convívio.

Continua…

18-02-2007 Matança do Porco (2)

MONDIM DE BASTO

População local e turistas participaram no reviver das tradições
da "Matança do Porco"

No domingo logo pela manhã, o Parque de campismo acordou pronto a receber mais de duas centenas de pedestrianistas madrugadores que se associaram à iniciativa de recordar e reviver a tradicional matança do porco, evento organizado pela Freguesia de Mondim de Basto e o Parque de campismo local.

A azáfama instalou-se no parque com o toque de saída para a primeira actividade, naturalmente de desgaste para preparar o amigo estômago, assim nada melhor do que uma caminhada a preceito por veredas, trilhos e caminhos rurais calcorreados por jovens escuteiros, moçoilas alegres e jovens maduros de ambos os sexos, animados em passo ritmado rumo a Pedra Vedra.
Foi engraçado apreciar as pequenas vielas do Lugar de Montão e da Serra, debruçadas sob o magestático monte da Senhora da Graça, que lhes dá abrigo e fé e ofereceu a todos os caminheiros uma panorâmica fotográfica da vila, a despertar com os pedaços de sol que iluminavam o caminho traçado.

Em Pedra Vedra, após subidas e descidas, deu-se um dos momentos mais emblemáticos e sensíveis do percurso com a observação pelos presentes da simulação da matança do porco. Da mesma forma foi-nos demonstrado a arte de chamuscar o animal com colmo, com a finalidade de queimar a pelugem, para depois se iniciar a sua lavagem e limpeza com facas e pedras, instrumentos eficazes e ancestrais, demonstrativos de uma prática tradicional, tão costumeira e primitiva das casas mondinenses, onde o porco servia para alimentar as bocas famintas ao longo de todo ano, já que a carne não abundava fruto dos tempos de míngua de um passado já esquecido.

No entanto, para recordar fica o mata bicho preparado pela dona Maria Alcina que ofertou os presentes de umas suculentas pataniscas, com broa, bolachas e café do pote, que nos contagiaram e satisfizeram a pedir por mais, num banquete esplendoroso e requintado, demonstrativo das nossas gentes, que quando abrem as suas portas, recebem os visitantes de uma forma principesca.
De Pedra Vedra rumamos a Mondim esfusiantes e alegres pelo acolhimento, em direcção ao Parque de Campismo.

Lá, seguiu-se a terceira parte da jornada com um lauto almoço, a que não faltou o porco no espeto, os rojões, a linguiça, o entrecosto regados com o bom vinho da região, que deliciaram e saciaram os cerca de quatrocentos visitantes que se associaram ao evento e se foram aproximando com as doze badaladas a anunciar a hora do repasto. Durante a tarde, a festa continuou com o espectáculo dos entremezes, típicos do Carnaval, levados a cena pelo Grupo Cultural e Recreativo de Santa Luzia de Vilar de Viando, que encantou com quadros romanescos que provocaram uma boa disposição pela comicidade e excelente interpretação dos actores.

No intervalo, as associações culturais e grupos mudaram a máscara usada durante o ano e com os novos trajes, disfarces e enfeites sambaram ao som da música brasileira dando um colorido carnavalesco ao evento. O Grupo dos escuteiros de Mondim, que estavam em grande número, arrecadaram o troféu, a cabeça do porco, sendo distribuídos aos restantes um prémio de consolação para o segundo e terceiro lugares, respectivamente ao grupo cultural de Santa Luzia e Grupo de cavaquinhos de Pedra Vedra. A festa terminou com a actuação do Rancho folclórico de Santa Luzia que embalou e agitou os presentes na sedução e arrebatamento que a nossa música popular nos transmite e faz vibrar. Até lá, esperamos por uma nova matança e convívio.

Textos: Executivo da Freguesia de Mondim de Basto

Continua…

18-02-2007 Matança do Porco (3)

MONDIM DE BASTO

A “Matança do Porco” em Mondim
Foi uma festa como nunca vi igual,
Participamos neste EVENTO porque assim
Mantém-se viva a tradição em Portugal.

Quero deixar a opinião sobre este dia
Que mais de 300 desfrutaram com prazer.
Muito obrigado - Parque de Campismo e Freguesia!
Cá voltaremos na Primavera se Deus quiser.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ao jeito de S. João


Quantas vezes a memória
Para fingir que inda é gente,
Nos conta uma grande história
Em que ninguém está presente.

Duas horas te esperei.
Duas mais te esperaria.
Se gostas de mim não sei...
Algum dia há de ser dia ...

Quando vieste da festa,
Vinhas cansada e contente.
A minha pergunta é esta.
Foi da festa ou foi da gente?

Tua boca me diz sim,
Teus olhos me dizem não.
Ai, se gostasses de mim
E sem saber a razão.

Duas vezes eu tentei
Dizer-te que te queria,
E duas vezes te achei
Só a que falava e ria.

Castanhetas, castanholas -
Tudo é barulho a estalar.
As que ao negar são mais tolas
São mais espertas ao dar.

O manjerico e a bandeira
Que há no cravo de papel -
Tudo enche a noite inteira,
Ó boca de sangue e mel.

A abanar o fogareiro
Ela corou do calor.
Ah, quem a fará corar
De um outro modo melhor!

Manjerico que te deram,
Amor que te querem dar...
Recebeste o manjerico.
O amor fica a esperar.

Esse frio cumprimento
Tem ironia p'ra mim.
Porque é o mesmo movimento
Com que a gente diz que sim...

Quando chegaste à janela
Todos que estavam na rua
Disseram: olha, é aquela,
Tal é a graça que é tua!

O que sinto e o que penso
De ti é bem e é mal.
É como quando uma chávena
Tem o pires desigual.

Nunca houve romaria
Que se lembrassem de mim...
Também quem se lembraria
De quem se lamenta assim?

O teu cabelo cortado
A maneira de rapaz
Não deixa justificado
Aquele amor que me faz.

Puseste um vaso à janela.
Foi sinal ou não foi nada,
Ou foi p'ra que pense em ti
Que te não importas nada?

Quando te apertei a mão
Ao modo de assim-assim,
Senti o meu coração
A perguntar-me por mim.

Esse xaile que arranjaste,
Com que pareces mais alta
Dá ao teu corpo esse brio
Que à minha coragem falta.

Quando me deste os bons dias
Deste-mos como a qualquer.
Mais vale não dizer nada
Do que assim nada dizer.

Andei sozinho na praia
Andei na praia a pensar
No jeito da tua saia
Quando lá estiveste a andar.

Trazes um manto comprido
Que não é xaile a valer.
Eu trago em ti o sentido
E não sei que hei de dizer.

Manjerico, manjerico,
Manjerico que te dei,
A tristeza com que fico
Inda amanhã a terei!

Quadras de Fernando Pessoa

quinta-feira, 28 de maio de 2009

ELES COMEM TUDO !!!

Mais um "TETRA"




Um Abração à DRAGÃO !!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

20-01-2007 Trilhos do Vouga

REDE DE PERCURSOS PEDESTRES DE S. PEDRO DO SUL

Percurso da parte da manhã (5 km / Circular)

No município de São Pedro do Sul, o Trilho do Vouga, aqui chamado Percurso do Vouga, tem início nas Termas de São Pedro do Sul, junto ao Centro de Interpretação do Vouga.

Percorrendo 3 Km nas duas margens do rio, liga as Termas à Quinta de Valgode. Na sua margem esquerda, o troço da antiga Via Romana (Lafões) é deveras bucólico e sereno.

Trata-se de um percurso ambiental, inaugurado a 12 de Maio de 2006.
Ao longo do trilho, deparamo-nos com painéis que descrevem a fauna e flora da zona ribeirinha.


A partir destes pontos, cada caminheiro pode improvisar à sua maneira, ligando, inclusive, com outros percursos de S. Pedro do Sul.

Nota final

Este pequeno percurso que hoje realizamos em S. Pedro do Sul (Termas), foi para nós como um chamamento para, ao longo do ano, virmos calcorrear os outros trilhos sinalizados que o Munícipio de S. Pedro do Sul implantou na sua área de jurisdição.
Iremos, no futuro, aqui deixar-vos testemunhos desses encantadores momentos.

Muito obrigado, Municicipio de S. Pedro do Sul, pelo excelente trabalho, turístico e desportivo, que foi a implantação dessa maravilhosa REDE DE PERCURSOS PEDESTRES.

Continua…

20-01-2007 PR1- N.ª Sr.ª do Castelo

Percurso da parte da tarde - 8 km / Circular
REDE DE PERCURSOS PEDESTRES DE VOUZELA
É um percurso de memórias.
É um percurso entre o passado, presente e o futuro.
É um caminho entre o Vouga e o Zela.

Esta pequena rota, com cerca de 8 Km, tem início bem no centro de Vouzela, no Parque da Liberdade.
Comece por atravessar a ponte pedonal sobre o rio Zela e siga à direita, onde irá encontrar a Fonte da Nogueira, também conhecida pela Fonte dos Amores. “diz-se que quem beber da sua água casará, com toda a certeza, em Vouzela”.

Chegando à rua da ponte siga à esquerda até encontrar a antiga linha de caminho de ferro (desactivada), volte novamente à sua esquerda até à ponte do caminho-de-ferro. Agora é só seguir as marcas vermelhas e amarelas que acompanham o troço da linha. Este troço é caracterizado pelo elevado valor paisagístico sobre o Vale do Rio Vouga.
Poucos metros antes de chegar à aldeia de Calvos irá deixar o caminho-de-ferro e começar a subir o Monte da N.ª Sr.ª do Castelo. Antes de atravessar a estrada nacional 228, encontrará a capela de S. Antão onde todos os anos no dia 17 de Janeiro “…concorrem… muitas… pessoas vindo em romagem… de muitas partes e freguesias deste Concelho que he muito dilatado dando suas esmolas para Missas e offertas para o mesmo Santo pello terem por especial advogado para lhe defender e conservar saons seus vivos como bois, bestas, gados e cochinos trazendo muitos destes bois e bestas a mesma capella…” (Memória Paroquial de Folgosa, 1758).

A próxima paragem será certamente o parque de merendas “Olho Marinho” para recuperar as forças. Depois do descanso, retome o caminho em direcção à N.ª Sr.ª do Castelo onde poderá encontrar vestígios de ocupação humana, a testemunhá-lo duas sepulturas antropomórficas escavadas na rocha, localizadas à direita das escadas de acesso ao Santuário da N.ª Sr.ª do Castelo, sobre um pequeno afloramento granítico.


Inicie a descida até a Vila de Vouzela onde certamente irá visitar a Igreja de N.ª Sr.ª da Assunção, Matriz de Vouzela (sec. XI – XII), um monumento ímpar da diocese de Viseu.

Texto: Folheto do Percurso/Município de Vouzela

Visitem Vouzela, percorrendo os maravilhosos trilhos sinalizados, que o Município implantou ao longo das suas Aldeias, com locais deveras encantadores e gentes simpáticas.

Obrigado, Vouzela!... por tão brilhante trabalho em prol do Pedestrianismo Nacional!


POESIA

(Antiga?.... Nem por isso!)

A Natureza

Fecunda Natureza, em vão procura
Contigo competir arte engenhosa;
Tu és mais agradável, mais formosa
Do que quanto inventou a arquitectura.

Como vem despenhada esta água pura!
Como se vê esta árvore frondosa
Convidando na sesta mais calmosa
A gozar do sossego e da frescura!

Sítio feliz, se fosses habitado
Por quem, livre de Amor e de tristeza,
Só em ti limitasse o seu cuidado:

Então seria, (que ditosa empresa!)
Num só verso, brando e delicado,
Visto todo o poder da Natureza!

Poema da Marquesa de Alorna